Pular para o conteúdo principal

Eu não sou humano

Eu não sou humano. Sou uma alma trancafiada numa carcaça de carne.
Sou uma alma presa pelas veias de um corpo coberto de pele, recheado de ossos e vísceras. O coração que bate em minha carcaça é o meu marca-passo para libertação.
Quando o tempo estiver acabado, a alma que um dia foi presa e oprimida se libertará das quentes veias e dos frágeis ossos que a prendem ao chão.

Me perco dentro de mim a imaginar o tamanho de minha consciência fora desta pele. Pelas ruas, busco intensos olhares para mergulhar na alma de outrem. Todos os segredos são revelados no olhar.
Como seria olhar o mundo de dentro do corpo de outra pessoa?
Como seria sentir de verdade o que o outro sente?


A alma humana é incompreensível, e de uma imensidão infinita. O que vemos no espelho não é o que somos.
O que somos está preso em algum lugar desses neurônios que se dissolvem um pouco a cada dia.

Morro a cada segundo. Morro todos os dias. 
Morro quando deito a cabeça no travesseiro e desperto minha consciência para o real, para onde não há limites físicos, para a verdadeira vida, para o lugar em que minha alma possa ser verdadeiramente livre.

Rick Marques
Um Sonhador




Comentários

  1. Rick, muito bom! Lendo pude ver a finitude do ser humano, de uma maneira sensível mas produnda.
    Abraço,
    Samy

    ResponderExcluir
  2. Oi Samy! Obrigado!
    Há dias que fico assim, bem introspectivo e surgem estas reflexões.

    Um beijo ;)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

[Resenha] A Volta do Filho Pródigo, de Henri J. M. Nouwen

Sempre acreditei e afirmo que:  "Viver é uma busca" . E ao ler esta linda obra de Henri Nouwen, eu tive mais certeza disso. "A Volta do Filho Pródigo" é  uma busca por respostas, num mergulho pela alma do autor, utilizando de uma profunda análise da pintura de mesmo nome, do grande artista  Rembrant van Rijin  (1606 - 1669), traçando um paralelo entre a pintura e a parábola narrada por Jesus.  Antes de mais nada, é importante explicar que apesar do livro ter uma temática religiosa, ele vai muito além disso. Mais do que um simples livro religioso, é um livro humano, que nos mostra o quanto somos frágeis e imaturos diante da vida. O quanto agimos com impulsividade e com impaciência. O autor conversa conosco como se fosse um amigo íntimo, revelando seus pensamentos mais profundos, seus medos e angústias.

[Resenha] [Clássicos] De Profundis, de Oscar Wilde

De Profundis  é o título de uma obra de 1897, do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900), de grande renome em Londres, no século XIX, que toma a forma de uma longa e emocional carta ao seu amante Lord Alfred Douglas (1870-1945). Wilde a escreveu na prisão de  Reading , onde cumpria pena de prisão por comportamento considerado indecente à época e sodomia (relações sexuais entre homens). A carta relata com muita dor e detalhes todo o relacionamento conturbado de Wilde com Douglas, o que na época era completamente inadmissível pelas leis da sociedade inglesa.  Quando  Marquês de Queensberry  descobriu o relacionamento homossexual que seu filho mantinha com o escritor, enviou uma carta à Oscar Wilde, no Albermale Club, onde já o ofendia no sobrescrito: "A Oscar Wilde, Conhecido Sodomita". O escritor então decidiu processar o Marquês por difamação, no entanto, desistiu logo em seguida temendo represálias, mas era tarde demais, pois sua ...

[Resenha] A Travessia, de William P. Young

Antony Spencer, carinhosamente tratado como Tony, é um jovem empresário, egocêntrico, mesquinho e de grande poder econômico, que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Foi casado duas vezes com a mesma mulher, Loree, a quem muito humilha e com quem teve dois filhos: Angela, de 17 anos, e Gabriel, que morrera ainda criança vítima de um câncer.  Desde a morte do filho que Tony perdeu a vontade de viver, e a partir de então, dedicou sua vida somente ao trabalho, vícios e conquistas materiais. Despreza a ex-esposa, por quem só mantém contato através de advogados, e ultimamente, nem amigos possui, devido à sua personalidade egocêntrica. Assim como A Cabana, neste mais recente livro de William P. Young, nos deparamos em uma trajetória pela busca de algo além do que enxergamos, uma busca pelo divino que há dentro de nós e que está à nossa volta.  Logo no começo da história, encontramos Tony e suas paranoias de perseguição, correndo alucinadamente com seu c...