Pular para o conteúdo principal

Eu não sou humano

Eu não sou humano. Sou uma alma trancafiada numa carcaça de carne.
Sou uma alma presa pelas veias de um corpo coberto de pele, recheado de ossos e vísceras. O coração que bate em minha carcaça é o meu marca-passo para libertação.
Quando o tempo estiver acabado, a alma que um dia foi presa e oprimida se libertará das quentes veias e dos frágeis ossos que a prendem ao chão.

Me perco dentro de mim a imaginar o tamanho de minha consciência fora desta pele. Pelas ruas, busco intensos olhares para mergulhar na alma de outrem. Todos os segredos são revelados no olhar.
Como seria olhar o mundo de dentro do corpo de outra pessoa?
Como seria sentir de verdade o que o outro sente?


A alma humana é incompreensível, e de uma imensidão infinita. O que vemos no espelho não é o que somos.
O que somos está preso em algum lugar desses neurônios que se dissolvem um pouco a cada dia.

Morro a cada segundo. Morro todos os dias. 
Morro quando deito a cabeça no travesseiro e desperto minha consciência para o real, para onde não há limites físicos, para a verdadeira vida, para o lugar em que minha alma possa ser verdadeiramente livre.

Rick Marques
Um Sonhador




Comentários

  1. Rick, muito bom! Lendo pude ver a finitude do ser humano, de uma maneira sensível mas produnda.
    Abraço,
    Samy

    ResponderExcluir
  2. Oi Samy! Obrigado!
    Há dias que fico assim, bem introspectivo e surgem estas reflexões.

    Um beijo ;)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

[Resenha] Cinzas do Passado, de Sandra Carneiro

O livro inicia-se num momento de tensão. Deparamos-nos com Jorge caído e abatido assistindo ao incêndio de sua casa no sítio. Um detalhe importante, aquele fora o segundo incêndio que ocorrera em sua casa, sendo que o primeiro, há 10 anos, terminou com a morte de sua amada esposa Dulce. A partir deste cenário, mergulhamos numa incessante busca por respostas: Por quê? Por que Jorge perdeu a esposa de uma maneira tão trágica? Por que ele está tendo que reviver um segundo incêndio com as mesmas lembranças ardendo em sua mente?  Jorge então, naquele momento de desespero é contemplado com uma visão divina, em meio ao fogo ele vê a imagem de Dulce, sua amada esposa. Não é possível! Sim, é possível.  Ao se maravilhar e ao mesmo tempo se assustar com aquela imagem, Jorge cai desmaiado, e é levado para o hospital pelos amigos vizinhos e permanece adormecido por um pouco mais de um mês, causando grande preocupação aos filhos, com exceção de um: Pedro; que por alguma razão desconhec...

[Resenha] Hamlet, de William Shakespeare

"(...) O verme é o único imperador. Nós engordamos todos os outros seres pra que nos engordem; e engordamos para engordar as larvas. O rei obeso e o mendigo esquálido são apenas variações de um menu - dois pratos, mas na mesma mesa; isso é tudo. Um homem pode pescar com o verme que comeu o rei e comer o peixe que comeu o verme. Um rei pode fazer um belo desfile pelas tripas de um mendigo." Uma das melhores tragédias da dramaturgia clássica: Hamlet. Livro de carteirinha para qualquer pessoa que gosta de uma boa literatura e também aos amantes de teatro. A história se passa por volta de 1600, na Europa. Hamlet, o príncipe da Dinamarca, corrói-se de ódio por sua mãe, Rainha Gertrudes, por casar-se com o tio, Cláudio, logo após a misteriosa morte de seu pai, o Rei Hamlet. Ele repudia o casamento dos dois e vê como um incesto nojento repleto de interesses. Sua ira é despertada quando numa certa noite uma aparição fantasmagórica é vista pelos guardas ...

[Resenha] [Clássicos] De Profundis, de Oscar Wilde

De Profundis  é o título de uma obra de 1897, do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900), de grande renome em Londres, no século XIX, que toma a forma de uma longa e emocional carta ao seu amante Lord Alfred Douglas (1870-1945). Wilde a escreveu na prisão de  Reading , onde cumpria pena de prisão por comportamento considerado indecente à época e sodomia (relações sexuais entre homens). A carta relata com muita dor e detalhes todo o relacionamento conturbado de Wilde com Douglas, o que na época era completamente inadmissível pelas leis da sociedade inglesa.  Quando  Marquês de Queensberry  descobriu o relacionamento homossexual que seu filho mantinha com o escritor, enviou uma carta à Oscar Wilde, no Albermale Club, onde já o ofendia no sobrescrito: "A Oscar Wilde, Conhecido Sodomita". O escritor então decidiu processar o Marquês por difamação, no entanto, desistiu logo em seguida temendo represálias, mas era tarde demais, pois sua ...