Pular para o conteúdo principal

[Resenha] A Travessia, de William P. Young

Antony Spencer, carinhosamente tratado como Tony, é um jovem empresário, egocêntrico, mesquinho e de grande poder econômico, que não mede esforços para alcançar seus objetivos.

Foi casado duas vezes com a mesma mulher, Loree, a quem muito humilha e com quem teve dois filhos: Angela, de 17 anos, e Gabriel, que morrera ainda criança vítima de um câncer. 


Desde a morte do filho que Tony perdeu a vontade de viver, e a partir de então, dedicou sua vida somente ao trabalho, vícios e conquistas materiais. Despreza a ex-esposa, por quem só mantém contato através de advogados, e ultimamente, nem amigos possui, devido à sua personalidade egocêntrica.

Assim como A Cabana, neste mais recente livro de William P. Young, nos deparamos em uma trajetória pela busca de algo além do que enxergamos, uma busca pelo divino que há dentro de nós e que está à nossa volta. 

Logo no começo da história, encontramos Tony e suas paranoias de perseguição, correndo alucinadamente com seu carro pelas ruas. Ele está abandonado, sem família, sem amigos e cheio de dinheiro. Depressivo, tranca-se em um de seus muitos apartamentos (um esconderijo na verdade) onde embarca numa depressão profunda. Tony perdeu a confiança em todos os à sua volta, confia somente naqueles que morreram, e também em Jesus (desacreditando em vários momentos), que sua mãe tanto falava quando viva. 


Tony encontra-se em estado deplorável,  no fundo do poço de sua própria alma, sem esperanças de vida, corrompido pelo poder. Uma cena deprimente. Devido ao alto consumo de bebida alcoólica, fica embriagado e desnorteado, sai pelo apartamento derrubando tudo que encontra pela frente, lançando impropérios aos quatro cantos. Chega ao estacionamento de seu prédio onde cai no chão batendo fortemente a cabeça. Tony acaba sofrendo um derrame cerebral e é internado em coma para a indiferença de muitos.

Quando entra em coma, o espírito de Tony acorda flutuando numa escuridão intensa, e ao final dela enxerga uma luz muito forte, qual tenta alcançar. Chegando à luz, visualiza um lugar de natureza ímpar, repleta de paisagens, onde encontrará ninguém mais, ninguém menos do que Jesus e o velho conhecido Espírito Santo, desta vez na forma de uma Vovó.

Assim, Tony inicia sua trajetória no pós-vida, dentro de seu próprio eu, para desvendar os mistérios de sua existência. Uma trajetória emocionante e repleta de surpresas. 

Se quer saber se Tony se recuperará do coma e o que ele encontra nesta travessia entre os dois mundos, então terá que ler o livro! 

Você conhecerá personagens únicos, como Cabby, um garoto de 16 anos com Síndrome de Down; Maggie, uma solteirona e religiosa fervorosa; Lindsay, uma jovem adolescente com leucemia, em estado crítico; Molly, mãe de Cabby e de Lindsay, que fora abandonada pelos pais das duas crianças e que luta pela cura da filha na luta contra o câncer; dentre outros.

O livro traz uma história muito envolvente, assim como A Cabana, tem um forte apelo à auto-ajuda, o que não diminuiu sua qualidade, sendo um excelente drama. William P. Young aborda fortes temas, como já citados acima: Síndrome de Down, depressão, leucemia, adoção e livre arbítrio. Um livro onde você também poderá enxergar Deus de uma forma não-convencional e quem sabe, renovar a sua fé através d'A Travessia.


Rick Marques
Um Sonhador

Obra: A Travessia, de William P. Young
Editora Arqueiro, 1ª edição, 2012
ISBN:  978-85-8041-108-9

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

[Resenha] Cinzas do Passado, de Sandra Carneiro

O livro inicia-se num momento de tensão. Deparamos-nos com Jorge caído e abatido assistindo ao incêndio de sua casa no sítio. Um detalhe importante, aquele fora o segundo incêndio que ocorrera em sua casa, sendo que o primeiro, há 10 anos, terminou com a morte de sua amada esposa Dulce. A partir deste cenário, mergulhamos numa incessante busca por respostas: Por quê? Por que Jorge perdeu a esposa de uma maneira tão trágica? Por que ele está tendo que reviver um segundo incêndio com as mesmas lembranças ardendo em sua mente?  Jorge então, naquele momento de desespero é contemplado com uma visão divina, em meio ao fogo ele vê a imagem de Dulce, sua amada esposa. Não é possível! Sim, é possível.  Ao se maravilhar e ao mesmo tempo se assustar com aquela imagem, Jorge cai desmaiado, e é levado para o hospital pelos amigos vizinhos e permanece adormecido por um pouco mais de um mês, causando grande preocupação aos filhos, com exceção de um: Pedro; que por alguma razão desconhec...

[Resenha] Hamlet, de William Shakespeare

"(...) O verme é o único imperador. Nós engordamos todos os outros seres pra que nos engordem; e engordamos para engordar as larvas. O rei obeso e o mendigo esquálido são apenas variações de um menu - dois pratos, mas na mesma mesa; isso é tudo. Um homem pode pescar com o verme que comeu o rei e comer o peixe que comeu o verme. Um rei pode fazer um belo desfile pelas tripas de um mendigo." Uma das melhores tragédias da dramaturgia clássica: Hamlet. Livro de carteirinha para qualquer pessoa que gosta de uma boa literatura e também aos amantes de teatro. A história se passa por volta de 1600, na Europa. Hamlet, o príncipe da Dinamarca, corrói-se de ódio por sua mãe, Rainha Gertrudes, por casar-se com o tio, Cláudio, logo após a misteriosa morte de seu pai, o Rei Hamlet. Ele repudia o casamento dos dois e vê como um incesto nojento repleto de interesses. Sua ira é despertada quando numa certa noite uma aparição fantasmagórica é vista pelos guardas ...

[Resenha] [Clássicos] De Profundis, de Oscar Wilde

De Profundis  é o título de uma obra de 1897, do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900), de grande renome em Londres, no século XIX, que toma a forma de uma longa e emocional carta ao seu amante Lord Alfred Douglas (1870-1945). Wilde a escreveu na prisão de  Reading , onde cumpria pena de prisão por comportamento considerado indecente à época e sodomia (relações sexuais entre homens). A carta relata com muita dor e detalhes todo o relacionamento conturbado de Wilde com Douglas, o que na época era completamente inadmissível pelas leis da sociedade inglesa.  Quando  Marquês de Queensberry  descobriu o relacionamento homossexual que seu filho mantinha com o escritor, enviou uma carta à Oscar Wilde, no Albermale Club, onde já o ofendia no sobrescrito: "A Oscar Wilde, Conhecido Sodomita". O escritor então decidiu processar o Marquês por difamação, no entanto, desistiu logo em seguida temendo represálias, mas era tarde demais, pois sua ...