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[Resenha] Hamlet, de William Shakespeare

"(...) O verme é o único imperador. Nós engordamos todos os outros seres pra que nos engordem; e engordamos para engordar as larvas. O rei obeso e o mendigo esquálido são apenas variações de um menu - dois pratos, mas na mesma mesa; isso é tudo.

Um homem pode pescar com o verme que comeu o rei e comer o peixe que comeu o verme.

Um rei pode fazer um belo desfile pelas tripas de um mendigo."





Uma das melhores tragédias da dramaturgia clássica: Hamlet. Livro de carteirinha para qualquer pessoa que gosta de uma boa literatura e também aos amantes de teatro.

A história se passa por volta de 1600, na Europa.

Hamlet, o príncipe da Dinamarca, corrói-se de ódio por sua mãe, Rainha Gertrudes, por casar-se com o tio, Cláudio, logo após a misteriosa morte de seu pai, o Rei Hamlet.

Ele repudia o casamento dos dois e vê como um incesto nojento repleto de interesses. Sua ira é despertada quando numa certa noite uma aparição fantasmagórica é vista pelos guardas do castelo. Horácio, um dos guardas e amigo de Hamlet, informa o jovem príncipe sobre o que acontecera, que um fantasma com a imagem do Rei circulava pelos arredores do castelo na calada da noite. 

Hamlet dirige-se até o local por onde vaga o espírito e contrariando os guardas, caminha até o fantasma. O Rei lhe revela que sua morte não foi de origem natural, mas sim, fora envenenado pelo próprio irmão qual desejava tomar posse do reino da Dinamarca e pede ao filho que vingue sua morte para que possa descansar em paz.


Hamlet sente-se traído pelo tio e também pela própria mãe e parte numa missão alucinada  para desmascarar o assassino do Rei, e para isso, finge-se de louco deixando todos no castelo preocupados com sua insanidade.

William Shakespeare nos traz uma série de críticas aos padrões da sociedade daquela época. Ele explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e loucura, tanto uma loucura real quanto uma falsa loucura.

Texto indispensável para os amantes da Literatura Clássica.

Abaixo, uma fala clássica deste nosso amado personagem, talvez um dos melhores personagens de Shakespeare:

"Ser ou não ser -  eis a questão.
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias - 
E, combatendo-o, dar-lhe fim?
Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono - dizem - extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável.
Morrer - dormir - 
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem aguentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte -
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante - nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão
Se transforma no doentio pálido do pensamento.
E empreitadas de vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho,
Perdem o nome de ação."

HAMLET - William Shakespeare



Rick Marques
Um Sonhador

Obra: Hamlet, de William Shakespeare
Editora L&PM Pocket - 2011
ISBN: 978.85.254.0853-2 (ePub)

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