Pular para o conteúdo principal

[Resenha] Eu, de Ricky Martin

Eis um livro que me surpreendeu, “Eu”, a autobiografia do cantor e muso latino Ricky Martin.

Nunca fui fã do Ricky Martin, no entanto achei ousada sua atitude de lançar uma biografia com apenas 38 anos de idade e me surpreendi com sua história de vida.

Um livro acima de tudo humano. Ricky abre seu coração pra contar quase tudo aquilo que viveu e que a mídia não registrou. É interessante conhecer o lado pessoal de um artista, pois quase sempre o que vemos nas mídias são matérias forjadas, e muitas vezes meras especulações para aclamar a audiência de um canal ou revista de fofoca.


Sem medo, Ricky narra sua trajetória desde criança, quando adorava ouvir música e dançar em sua casa para seus parentes e amigos. Sua mãe sempre soube que seu filho nascera para brilhar. De uma vida simples, para a fama mundial. Assim, teve sua vida mudada da noite pro dia quando foi selecionado para compor o grupo Os Menudos - banda teen muito popular na década de 80.

Depois dos Menudos, sua vida nunca mais fora igual. Apesar de ter se adaptado logo com a correria de artista, ele sofreu muito com a distância da família no começo da carreira. Eu diria que, ele sofreu muito ao longo dos anos seguintes também, pois tinha um apego grande pelos pais.


Vemos aos olhos dele, as dificuldades enfrentada em cada passo para alcançar seu sonho de cantar e dançar nos palcos. A jornada de trabalho excessiva para um garoto de apenas doze anos.  A chegada da puberdade e as dúvidas sobre sua sexualidade que o atormentavam.  É emocionante como ele descreve o quanto se oprimiu pra corresponder às expectativas da família, do grupo e de seus empresários. Um garoto aclamado por milhões de pessoas e que, anos depois viria a se tornar um dos maiores símbolos sexuais latino.

Mas, o que havia por trás disso tudo? Quem era a pessoa que se escondia pela imagem do Rick Martin que víamos nos palcos? Ele mesmo responde: Kiki. Apelido que recebera de sua família.

Kiki nos leva a um verdadeiro mergulho em suas lembranças. Percorremos os relacionamentos amorosos  que tivera com homens e também mulheres. Ele narra como foi todo esse processo de aceitação de sua homossexualidade. O medo e as dificuldades de lidar com a família, de lidar com o preconceito de algumas pessoas, pois, antes de assumir-se publicamente, amigos e familiares de Ricky já sabiam de sua orientação sexual. O nascimento de seus filhos (por barriga de aluguel) foi crucial para Ricky se declarar ao público, pois acima de qualquer coisa, não queria que seus filhos vivessem sob uma mentira.

O tempo todo Ricky se coloca com humildade. É notável sua emoção quando fala de seus filhos. De tantas coisas ditas, é legal notar o quanto alguém que vive num mundo tão distante de nós, pode ser tão parecido em alguns aspectos.  Os medos, as angústias, as incertezas. Neste livro, dialogamos o tempo todo com o menino Kiki, que se distancia do Ricky Martin para poder compartilhar de sua vida.

Uma das coisas mais interessantes que devo citar  é o caminho espiritual que Ricky decidiu seguir e a forma como ele chegou nisso. Nessa sua busca pela espiritualidade, acabou indo parar na Índia , onde além de se espiritualizar, iniciou uma de suas brigas mais difíceis, qual luta até hoje: a luta contra o tráfico internacional de pessoas. Muito do que Ricky narra sobre sua luta contra o tráfico é forte. Ele faz um grande apelo a esta causa, e conta com precisão as coisas horríveis que presenciou mundo afora, envolvendo inclusive o tráfico de crianças. 

Resumindo: É um livro humano, com depoimentos emocionantes. Nesta autobiografia,  você não verá um artista se gabando de sua fama e de suas conquistas, mas sim, um ser  humano conversando com você em primeira pessoa, revelando seus medos, seus erros, seus acertos, suas alegrias e tristezas. Compartilhando do mundo com você. 

Acima de tudo, Ricky defende a causa humana e o amor como ferramenta de transformação da humanidade. Se no início desse post eu disse que “nunca fui  fã de Ricky Martin”, hoje devo dizer que: “KIKI, AGORA EU SOU SEU FÃ!”

Eu recomendo!

Se já leu, comente sua opinião sobre o livro. E quem não leu, ... leia!

Deixe suas críticas, dúvidas e sugestões sobre o post nos comentários. É muito importante para nós!

Grande abraço e "boas leituras", Comedores de Livros! 




Rick Marques
Um Sonhador


Obra: Eu, de Ricky Martin
Editora Planeta - 1ª edição - 2010
ISBN: 978-857-665-563-3

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

[Resenha] A Volta do Filho Pródigo, de Henri J. M. Nouwen

Sempre acreditei e afirmo que:  "Viver é uma busca" . E ao ler esta linda obra de Henri Nouwen, eu tive mais certeza disso. "A Volta do Filho Pródigo" é  uma busca por respostas, num mergulho pela alma do autor, utilizando de uma profunda análise da pintura de mesmo nome, do grande artista  Rembrant van Rijin  (1606 - 1669), traçando um paralelo entre a pintura e a parábola narrada por Jesus.  Antes de mais nada, é importante explicar que apesar do livro ter uma temática religiosa, ele vai muito além disso. Mais do que um simples livro religioso, é um livro humano, que nos mostra o quanto somos frágeis e imaturos diante da vida. O quanto agimos com impulsividade e com impaciência. O autor conversa conosco como se fosse um amigo íntimo, revelando seus pensamentos mais profundos, seus medos e angústias.

[Resenha] [Clássicos] De Profundis, de Oscar Wilde

De Profundis  é o título de uma obra de 1897, do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900), de grande renome em Londres, no século XIX, que toma a forma de uma longa e emocional carta ao seu amante Lord Alfred Douglas (1870-1945). Wilde a escreveu na prisão de  Reading , onde cumpria pena de prisão por comportamento considerado indecente à época e sodomia (relações sexuais entre homens). A carta relata com muita dor e detalhes todo o relacionamento conturbado de Wilde com Douglas, o que na época era completamente inadmissível pelas leis da sociedade inglesa.  Quando  Marquês de Queensberry  descobriu o relacionamento homossexual que seu filho mantinha com o escritor, enviou uma carta à Oscar Wilde, no Albermale Club, onde já o ofendia no sobrescrito: "A Oscar Wilde, Conhecido Sodomita". O escritor então decidiu processar o Marquês por difamação, no entanto, desistiu logo em seguida temendo represálias, mas era tarde demais, pois sua ...

[Resenha] A Travessia, de William P. Young

Antony Spencer, carinhosamente tratado como Tony, é um jovem empresário, egocêntrico, mesquinho e de grande poder econômico, que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Foi casado duas vezes com a mesma mulher, Loree, a quem muito humilha e com quem teve dois filhos: Angela, de 17 anos, e Gabriel, que morrera ainda criança vítima de um câncer.  Desde a morte do filho que Tony perdeu a vontade de viver, e a partir de então, dedicou sua vida somente ao trabalho, vícios e conquistas materiais. Despreza a ex-esposa, por quem só mantém contato através de advogados, e ultimamente, nem amigos possui, devido à sua personalidade egocêntrica. Assim como A Cabana, neste mais recente livro de William P. Young, nos deparamos em uma trajetória pela busca de algo além do que enxergamos, uma busca pelo divino que há dentro de nós e que está à nossa volta.  Logo no começo da história, encontramos Tony e suas paranoias de perseguição, correndo alucinadamente com seu c...