Uma confusão de sentimentos habita meu coração.
Há anos que eu vivo com um vazio existencial, um buraco no fundo do peito qual não consigo preencher.
Eu não sei quem sou. Por muitas vezes tive vergonha do que "não me tornei". Vergonha de não ter tido uma "profissão de sucesso"; vergonha por não me atrair por mulheres; vergonha de não me encaixar nos padrões a mim impostos.
Meu maior desejo ao longo de minha breve existência sempre foi a liberdade. Uma liberdade que é utópica, que não existe nesta dimensão, pois estou aqui preso neste corpo, neste avatar.
O que é o despertar da consciência que tanto se fala?
Não me recordo quando foi a primeira vez que ouvi esse termo, mas eu sei que não é um processo nada simples.
Ao longo da vida passei por vários "despertares".
Pouco me recordo do velho eu e hoje eu busco um sentido pra tudo que vejo e sinto.
Qual o sentido de eu estar aqui? Qual o sentido de estar vivo neste momento?
Qual o sentido de estar escrevendo esse texto como se eu fosse encontrar as respostas que eu tanto busco?
Qual é o meu talento? Quem eu sou de verdade?
Quem eu sou além do que eu mostro, além do que eu sinto...
Quem sou eu ?
Há anos e anos que eu me pergunto quem sou. Busquei em inúmeros lugares...
Não cheguei há conclusão alguma. E provavelmente nunca chegarei...
Acho que no fundo talvez eu sempre queira ter sido importante, satisfazer um desejo do meu ego...
Ego, aff, que cara mais insuportável. Que ser mais ignorante que habita dentro de mim.
Um lado meu que se acha dono da verdade e dono de tudo ao meu redor. Serzinho difícil e insuportável que sempre me coloca pra baixo e me faz viver as experiências mais dolorosas... Dizem que o ego tenta nos proteger, mas pra mim, parece que ele sempre quer me destruir...
A vida faz algum sentido? De fato a vida tem algum sentido?
Há sentido no que estou escrevendo? Há sentido na minha existência?
O que estou fazendo aqui?
Que experiência maluca é a vida!
Ah, como eu amo viver! Como eu amo sentir o ar passado pelas minhas narinas e enchendo os meus pulmões.
Como eu amo sentir a leveza da água encostando em meus lábios, passando por minha língua e caindo dentro da profundidade do meu sistema digestivo. Beber água é uma das coisas mais gratificantes da vida. Como é bom colocar os pés no chão, na terra, na grama, na lama... Como é bom correr sem rumo e sentir o vento bagunçar meus cabelos. Como é bom acordar e olhar para o céu azul e sentir a doce brisa entrar pela janela. Eu amo demais o balançar das árvores e o cantar do pássaros. Eu amo abraçar e sentir meus gatinhos, embora eu tenha muita dificuldade de entender a forma deles de viver e de sentir o mundo.
É isso! Ninguém e nenhum ser sente o mundo da mesma forma.
Sentir. Sentir. Sentir.
É o que eu mais amo na vida, SENTIR. Sentir é o que faz SENTIDO.
Se eu não sentisse a vida não seria intensa, não teria graça.
Talvez não existam deuses, céu, inferno, deus, diabo, nada do tipo. Talvez tudo isso mesmo não passe de uma experiência extremamente passageira. Talvez não importe nada do que parece ser importante.
No fim das contas nada importa, apenas o que se SENTE.
Se eu não sentisse eu não seria quem EU SOU.
Mas, quem EU SOU?
EU SOU EU. EU SOU.
Apenas SOU.
O ínicio e o fim.
Sou Deus e sou Vazio.
Sou a Paz que habita em mim; o Vazio.
Sou o Eu.
Sou.
.
.
.
R I C K
Comentários
Postar um comentário