Minha existência era indiferente ao mundo. Vivo ou morto, eu não interferia no processo evolutivo.
Mais um.
Eu era mais um; apenas mais um desejando o inalcançável.
No mesmo instante em que eu devaneava e contemplava o vazio, uma onda de horror invadiu aquela cidade. Neste momento, eu me tornei visível.
"Ajude-me!", "Acorde!", "Mexa-se!", "Faça alguma coisa!", eram gritos constantes dos que passavam por mim. Por que tanto desespero? Eu não era indiferente para eles? Por que agora lembraram-se de mim? Por quê!?
O caos transforma as pessoas: seja para o bem ou para o mal.
Diante de tamanha confusão, minha única reação foi menear a cabeça incompreensível perante os horrores. Aquela onda de pavor que arrastava milhares eram os pensamentos de cada ser humano. Eles fugiam desesperados de seus medos, de seus conflitos pessoais, de suas máscaras, mentiras e traições. Seus desejos mais sujos corriam diante dos olhos. Eram todos iguais.
Iguais perante a luxúria, à ira, à ambição, à avareza, à gula, à preguiça e à vaidade. Os gritos dilacerantes fizeram-me enxergar algo que até então eu não conseguia ver: a humanidade.
Por trás de cada rosto, cada dor, eu conseguia enxergar a humanidade. Aquela humanidade escondida, que desperta nas piores catástrofes, nas mais infelizes tragédias.
Em meus devaneios eu pude ver. Contemplando o vazio eu pude sentir.
Descobri que qualquer coisa que eu fizesse não faria menor diferença para o mundo, mas faria toda diferença para mim.
Não importa por onde eu ande, a pior batalha; o maior caos está dentro de mim.
Cada um tem seu tsunami dentro da ALMA e a única maneira de acalmar essas ondas é parar, respirar e contemplar a beleza de ser como é.
Rick Marques
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