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[Resenha] Romeu e Julieta, de William Shakespeare

Ódio, amor e sangue em Verona, na Itália de 1500.

Duas famílias da nobreza italiana, Montecchio e Capuleto, nutrem um ódio mortal entre si. 

Não se sabe a origem de tamanho ódio, mas sabe-se que ele se arrasta ao longo de gerações, banhando de sangue o nome das famílias.



Riqueza, status, poder e vingança fazem parte do cotidiano da alta nobreza. Em meio às festas, reinam a falsidade, o ego, o orgulho e o exibicionismo. Sorrisos belos em meio ao brilho das joias. Nobres pais buscando bons partidos para seus filhos, para garantir o nome e a honra da família. Além do grande abismo entre as classes sociais deste período, ainda era uma época em que a mulher não tinha muita ou quase nenhuma participação na sociedade. Seu papel fundamental era o de servir ao seu esposo, e aceitar casamentos arranjados, que envolviam grandes fortunas e nomes ‘respeitosos’. 

Somos apresentados a Romeu, filho dos Montecchio que em meio a todas estas convenções, entra disfarçado na casa dos Capuleto, quando eles realizavam uma festa de máscaras, somente para convidados. 

Romeu, junto de seus amigos Mercúcio e Benvólio adentram a festa e aproveitam a serventia, no entanto, um dos Capuletos, Tebaldo percebe a presença de Romeu e o identifica, querendo desembainhar sua espada mas é impedido pelo anfitrião da festa, que quer manter a ordem diante de tantos membros da alta nobreza.

Durante o baile, Romeu se depara com uma linda jovem, a qual quase que instantaneamente cai de amores. O sentimento é recíproco. A jovem, é Julieta Capuleto, filha do maior inimigo da família Montecchio. E aqui tem início todo o drama da vida desses jovens, que em meio ao ódio de suas famílias, se apaixonam perdidamente e derrubam todas as convenções da sociedade hipócrita que viviam, em nome deste sentimento maior que surge entre eles.

Romeu e Julieta passam a ter vários encontros às escondidas, contando com o apoio da Ama de Julieta, que apesar de não gostar da ideia, deseja que a menina seja feliz. Romeu arrisca sua vida quase todas as noites ao saltar os muros da casa dos Capuleto e encontrar com sua amada na janela de seu quarto. Não haviam limites a estes jovens apaixonados.

Na impossibilidade de contar às famílias sobre seus sentimentos, eles decidem ir ao matrimônio sem o conhecimento de ninguém, somente da Ama de Julieta, do criado e dos amigos de Romeu. O Frei Lourenço, um franciscano, tem enorme estima pelos jovens, e vê nesta união matrimonial a possibilidade de um perdão entre as famílias inimigas, e acredita fielmente que os jovens irão comovê-los e acabar com esta guerra que dura a anos, ou séculos...

Frei Lourenço realiza a cerimônia de maneira simples e sem convidados. Romeu e Julieta são unidos pelas sagradas escrituras, diante de Deus.

Uma hora após à união dos jovens apaixonados, já tendo Julieta retornado à sua casa, Romeu se depara com Tebaldo, primo de Julieta, combatendo Mercúcio, seu amigo. Romeu tenta impedir que algo pior aconteça, no entanto, Mercúcio é gravemente ferido e vem a falecer, enquanto Tebaldo foge. Romeu enche-se de ódio e quando reencontra Tebaldo, desembainha sua espada e os dois travam batalha mortal, vindo Tebaldo a cair. Não muito tarde, a notícia da tragédia se espalha pela sociedade. O Príncipe, maior representação do poder daquela época, determina que Romeu seja exilado de Verona. Romeu só não foi condenado à morte devido às circunstâncias, por ter defendido seu amigo.

A família Capuleto cai em tristeza e deseja vingança, deseja a morte de Romeu. Julieta quando descobre a morte do primo, cai em prantos, ao mesmo tempo que chora de felicidade por seu amado estar vivo. Ela quase enlouquece quando descobre que Romeu será exilado, e não deseja mais nada além da morte. 

Em meio a toda esta desgraça, os pais de Julieta decidem que ela deve se casar com Páris, um jovem fidalgo e parente do Príncipe, que também morre de amores pela donzela. Ela recusa de todas as formas, vindo a entrar em intenso conflito com seu pai que ameaça de deixá-la na rua, mendigando. A Ama de Julieta, diante desta situação a aconselha a aceitar o pedido de casamento de Páris, pois, tudo estava indo contra ela e Romeu. Julieta não aceita o que a Ama diz, mas, finge concordar e elabora um plano em sua mente. 

Ela então, vai à procura de Frei Lourenço, dizendo que não quer pecar ao casar com dois homens e que não quer trair a seu amado e, sem ter escolhas, decide tirar a própria vida. Frei Lourenço não permite que ela cometa tamanha atrocidade, e a ajuda a elaborar um novo plano. Ele possui em sua capela, algumas ervas que, ministradas na quantidade certa, deixam a pessoa num sono profundo, onde o corpo aparenta estar morto, no entanto, a pessoa apenas permanece imóvel por cerca de 42 horas. O Frei propõem a Julieta, que ela beba da poção na noite anterior ao do casamento com Páris, assim, no dia seguinte quando forem encontrá-la, ela estará supostamente morta e farão seu funeral. Neste meio tempo, o Frei avisa Romeu, que está exilado, para que venha retirar Julieta viva do túmulo e juntos fugirem e viverem sua paixão. 

E assim deveria suceder o plano, porém, nem tudo ocorreu como esperado. Na noite em que Julieta toma da poção, tudo bem vai bem. No dia seguinte ela é dada como morta e a família em luto realiza seu funeral. Toda a nobreza fica chocada com as últimas desgraças que levam o nome dos Capuleto.
Enquanto isso, Frei Lourenço entrega uma carta a Frei João, para que seja enviada a Romeu, avisando a ele o plano de Julieta e que ele deveria buscá-la. 

Infelizmente, Frei João é preso no meio do caminho e não consegue entregar a carta. Baltasar, criado de Romeu, se encarrega de avisar seu amo sobre a morte da esposa, no entanto, ele não sabia do plano de Julieta com o Frei. Romeu quando recebe a notícia enlouquece, e no mercado negro da cidade em que está, adquire um veneno mortal, que mata um ser humano instantaneamente com apenas um gole. Romeu parte para Verona com Baltasar, decidido a morrer ao lado do corpo da amada.

Ao chegar no túmulo, Romeu se depara com Páris, que está a lamentar a morte de Julieta. Ele pede para Baltasar chamar seu pai e que em hipótese alguma retorne à sepultura, porém, Baltasar fica escondido assistindo a tudo. Páris e Romeu travam sanguenta batalha e Páris cai morto pela espada de Romeu. O jovem então, abre o túmulo de sua amada, e declara todo seu amor e a tristeza por perdê-la, e na impossibilidade de viver junto dela, realiza seu último ato: bebe do veneno e cai instantaneamente morto sobre o corpo de Julieta.

Minutos depois, Julieta desperta, e se surpreende com a chegada do Frei Lourenço que se choca com a cena trágica à sua frente. A jovem ainda desorientada, e vê o amado em seu colo. Ela percebe que ele está morto, e o beija num ato de desespero, acreditando que ainda há veneno em seus lábios. Julieta se recusa a fugir com Frei Lourenço, que a deixa no túmulo. 

Ao longe, os guardas do Príncipe se aproximam, e para estar eternamente ao lado de seu Romeu, Julieta desfere um golpe em seu peito com o punhal, vindo a cair banhada em sangue, desfalecendo aos poucos.

Quando o Príncipe, os Capuleto e os Montecchio chegam, são surpreendidos pela cena trágica, e descobrem que Julieta fora enterrada viva. Frei Lourenço é trazido pelos guardas, e com muito lamento conta a história do amor puro e fiel que surgiu entre o jovem casal. Que mesmo diante do ódio e de tanto sangue derramado, se mantiveram juntos até o fim. E assim, chegamos ao fim da trágica história, com as duas famílias se perdoando. O ódio dos Montecchio e dos Capuletos foi lavado com o sangue do amor de Romeu e Julieta. 


Rick Marques
Um Sonhador



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