Em seus sonhos ela surgia resplandecente. Seus grandes olhos o hipnotizavam. Quão grandes asas! Que magnífico ser!
Antônio corria pelas ruas atrás dela, mas não a alcançava. Ele chegava à beira de penhascos querendo um contato com ela. Porém, ela era rápida! Não queria se deixar alcançar, pois tinha medo de privar-lhe da liberdade, mas Antônio não desistia, o sonho era dele!
- Nos meus sonhos eu sou o Rei! Um dia eu irei te alcançar majestosa Águia!
Quando acordava, poucas coisas lembrava. Recordava-se apenas do olhar daquele animal; como era intenso e profundo; e daquelas grandes asas a saltar das montanhas.
- De novo esse sonho...
Com apenas dez anos, Antônio se destacava entre os colegas de escola, sempre fora muito inteligente. Seu pensamento rápido muitas vezes o deixava inquieto, e acabava se isolando dos demais.
Seus pais pouco conversavam com o garoto, que sempre os enchia de muitas perguntas, quase sempre sem respostas. Sua mãe lhe dava um pouco de atenção, mas era protetora demais e o privava de brincar na rua ou de viajar com os vizinhos nas férias da escola. Antônio não tinha um bom relacionamento no colégio, e constantemente estava isolado e entristecido.
- Mãe, porque eu sou assim esquisito?
- Você não é esquisito Tonho! Que ideia!
- Sou sim, na escola todo mundo fala isso.
- As crianças da escola são bobas, não dê bola pra elas. Você é lindo, e é meu filho! - brincava a mãe.
- Mas mãe... Eles falam que eu sou CDF e tiram sarro de mim...
- Ah, essas crianças! Terei que voltar à escola e reclamar com a diretora de novo!?
- Não mãe! - desespero - não vá! Da última vez que você foi reclamar, porque o João me derrubou, as coisas ficaram piores!
- Mais uma razão pra eu voltar lá e botar a boca no trombone! Onde já se viu esses pirralhos maltratarem meu filho. Mas não mesmo! Amanhã estarei lá Antônio. E agora chega! Vá estudar!
- Não mãe...
Sua mãe se retirava, estupefata com o que acontecia ao filho que sempre fora superprotegido. Tinha poucos amigos, mas os via raramente. Seus pais não o permitiam sair muito do apartamento quais alegavam a violência que tomava conta da cidade.
"Não Antônio, é perigoso! Podem te roubar, ou pior: te sequestrar! Hoje em dia o mundo está terrível!", era o que a mãe dele sempre repetia.
Nos dias de sol e céu azul, seu passatempo era assistir televisão. Era a única coisa que podia fazer antes do pai chegar do trabalho, pois quando chegava queria ver o jornal da tarde e ficar por dentro das tragédias urbanas. No entanto, o garotinho queria mesmo era estar no meio do mato, se sujando na terra e brincando de caçador de monstros. Não, ele não podia. A tv era sua única companhia. Antônio odiava a cidade grande. Seu pai o olhava com desdém, e sempre o tratara com indiferença.
- Pai, joga vídeo-game comigo?
- Não tenho tempo Antônio, estou cansado!
- Mas pai, na escola todos os meninos jogam vídeo-game com os pais deles e...
- Dá um tempo moleque! Tô cansado! Trabalhei o dia inteiro, vai pro seu quarto jogar sozinho. Já comprei essa porcaria aí pra você parar de encher o saco!
Antônio ficava retraído e não compreendia o porquê daquela atitude. Sentia falta de seu pai do lado, então retornava triste ao quarto, onde chorava baixinho pra ninguém lhe ouvir. Nesses momentos de solidão, ele pegava seu caderno e desenhava pássaros de todos os tipos, onde um deles se destacava: a Águia.
- Um dia eu serei como ela! Serei livre e voarei pelo céu! - dizia com um sorriso no rosto.
Seus olhos brilhavam cada vez que pensava na Águia.
- Livre!... um dia eu serei... livre...
Certo dia, em um desses sonhos, novamente ser resplandecente, surgiu para encantá-lo.
- Quão majestosa! Não fuja de mim senhora Águia! Eu quero ser seu amigo, me deixe te alcançar e voar com você!
Neste sonho, algo inusitado aconteceu: uma grande tempestade aproximou-se de Antônio. O céu negro era iluminado por relâmpagos, o que o deixou apavorado. O pequeno garoto estava à beira de quênios; ele nunca estivera em um lugar como aquele na realidade, mas em sonhos estava sempre lá, correndo atrás do majestoso animal.
Os relâmpagos iluminavam os caminhos e os abismos que separavam as montanhas.
Aos poucos, o medo havia dominado o coração do pequeno, que no chão se abraçava aos joelhos , chorando.
- Me tirem daqui! Socorro! Papai! Mamãe!
Quando num voo rasante, a Águia passou por ele e inclinou a cabeça para trás. Ela pousou em uma montanha à frente e Antônio vislumbrou o animal na beira do abismo. Ela o encarava desafiadora, como se quisesse que ele saltasse até onde estava e voasse junto dela.
Sim! Era isso que ela queria!
- Voe Antônio, voe! – sua voz ecoava na mente do pequeno.
- Senhora Águia, eu não tenho asas!
- Voe Antônio, voe! Suas asas estão dentro de você.
Antônio recebeu os pensamentos do animal, e o encarou corajosamente. Olhou para baixo e para Águia. Para Águia e para baixo. Sim! Ele podia voar.Aproximou-se da beira do abismo somente nas pontas dos pés...
- Eu... vou... voar!
- PARE, ANTÔNIO! - um grito ensurdecedor invadiu sua mente.
A mãe do jovem adentrou o quarto e, desesperada, viu o filho delirando na janela, mas era tarde demais. Antônio despertara assustado e despencou do vigésimo quinto andar do edifício.
-ANTÔNIOOO!...
O pequeno garoto escutou o grito da mãe ao longe, e sentiu o vento bater em seus braços. Seu corpo caiu em direção ao chão. E lá no alto ele viu o esplêndido animal planando no céu.
- Eu consegui voar, senhora... Águia...
- Nos meus sonhos eu sou o Rei! Um dia eu irei te alcançar majestosa Águia!
Quando acordava, poucas coisas lembrava. Recordava-se apenas do olhar daquele animal; como era intenso e profundo; e daquelas grandes asas a saltar das montanhas.
- De novo esse sonho...
Com apenas dez anos, Antônio se destacava entre os colegas de escola, sempre fora muito inteligente. Seu pensamento rápido muitas vezes o deixava inquieto, e acabava se isolando dos demais.
Seus pais pouco conversavam com o garoto, que sempre os enchia de muitas perguntas, quase sempre sem respostas. Sua mãe lhe dava um pouco de atenção, mas era protetora demais e o privava de brincar na rua ou de viajar com os vizinhos nas férias da escola. Antônio não tinha um bom relacionamento no colégio, e constantemente estava isolado e entristecido.
- Mãe, porque eu sou assim esquisito?
- Você não é esquisito Tonho! Que ideia!
- Sou sim, na escola todo mundo fala isso.
- As crianças da escola são bobas, não dê bola pra elas. Você é lindo, e é meu filho! - brincava a mãe.
- Mas mãe... Eles falam que eu sou CDF e tiram sarro de mim...
- Ah, essas crianças! Terei que voltar à escola e reclamar com a diretora de novo!?
- Não mãe! - desespero - não vá! Da última vez que você foi reclamar, porque o João me derrubou, as coisas ficaram piores!
- Mais uma razão pra eu voltar lá e botar a boca no trombone! Onde já se viu esses pirralhos maltratarem meu filho. Mas não mesmo! Amanhã estarei lá Antônio. E agora chega! Vá estudar!
- Não mãe...
Sua mãe se retirava, estupefata com o que acontecia ao filho que sempre fora superprotegido. Tinha poucos amigos, mas os via raramente. Seus pais não o permitiam sair muito do apartamento quais alegavam a violência que tomava conta da cidade.
"Não Antônio, é perigoso! Podem te roubar, ou pior: te sequestrar! Hoje em dia o mundo está terrível!", era o que a mãe dele sempre repetia.
Nos dias de sol e céu azul, seu passatempo era assistir televisão. Era a única coisa que podia fazer antes do pai chegar do trabalho, pois quando chegava queria ver o jornal da tarde e ficar por dentro das tragédias urbanas. No entanto, o garotinho queria mesmo era estar no meio do mato, se sujando na terra e brincando de caçador de monstros. Não, ele não podia. A tv era sua única companhia. Antônio odiava a cidade grande. Seu pai o olhava com desdém, e sempre o tratara com indiferença.
- Pai, joga vídeo-game comigo?
- Não tenho tempo Antônio, estou cansado!
- Mas pai, na escola todos os meninos jogam vídeo-game com os pais deles e...
- Dá um tempo moleque! Tô cansado! Trabalhei o dia inteiro, vai pro seu quarto jogar sozinho. Já comprei essa porcaria aí pra você parar de encher o saco!
Antônio ficava retraído e não compreendia o porquê daquela atitude. Sentia falta de seu pai do lado, então retornava triste ao quarto, onde chorava baixinho pra ninguém lhe ouvir. Nesses momentos de solidão, ele pegava seu caderno e desenhava pássaros de todos os tipos, onde um deles se destacava: a Águia.
- Um dia eu serei como ela! Serei livre e voarei pelo céu! - dizia com um sorriso no rosto.
Seus olhos brilhavam cada vez que pensava na Águia.
- Livre!... um dia eu serei... livre...
Certo dia, em um desses sonhos, novamente ser resplandecente, surgiu para encantá-lo.
- Quão majestosa! Não fuja de mim senhora Águia! Eu quero ser seu amigo, me deixe te alcançar e voar com você!
Neste sonho, algo inusitado aconteceu: uma grande tempestade aproximou-se de Antônio. O céu negro era iluminado por relâmpagos, o que o deixou apavorado. O pequeno garoto estava à beira de quênios; ele nunca estivera em um lugar como aquele na realidade, mas em sonhos estava sempre lá, correndo atrás do majestoso animal.
Os relâmpagos iluminavam os caminhos e os abismos que separavam as montanhas.
Aos poucos, o medo havia dominado o coração do pequeno, que no chão se abraçava aos joelhos , chorando.
- Me tirem daqui! Socorro! Papai! Mamãe!
Quando num voo rasante, a Águia passou por ele e inclinou a cabeça para trás. Ela pousou em uma montanha à frente e Antônio vislumbrou o animal na beira do abismo. Ela o encarava desafiadora, como se quisesse que ele saltasse até onde estava e voasse junto dela.
Sim! Era isso que ela queria!
- Voe Antônio, voe! – sua voz ecoava na mente do pequeno.
- Senhora Águia, eu não tenho asas!
- Voe Antônio, voe! Suas asas estão dentro de você.
Antônio recebeu os pensamentos do animal, e o encarou corajosamente. Olhou para baixo e para Águia. Para Águia e para baixo. Sim! Ele podia voar.Aproximou-se da beira do abismo somente nas pontas dos pés...
- Eu... vou... voar!
- PARE, ANTÔNIO! - um grito ensurdecedor invadiu sua mente.
A mãe do jovem adentrou o quarto e, desesperada, viu o filho delirando na janela, mas era tarde demais. Antônio despertara assustado e despencou do vigésimo quinto andar do edifício.
-ANTÔNIOOO!...
O pequeno garoto escutou o grito da mãe ao longe, e sentiu o vento bater em seus braços. Seu corpo caiu em direção ao chão. E lá no alto ele viu o esplêndido animal planando no céu.
- Eu consegui voar, senhora... Águia...
Rick Marques
Um Sonhador
Um Sonhador
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